INTERVENÇÕES
EFÊMERAS
QUEM E O QUE É
O ARTISTA?
> Não só de obras
“prontas”
é feita a I Bienal do Mercosul. Nesta mostra, de contexto gigantesco,
também se incluem artistas que vieram para Porto Alegre literalmente
“fazer arte”, criar...
> O programa incluiu Intervenções
Efêmeras, que se constituem numa relação plástica
entre as obras dos artistas e os lugares característicos (atrações
turísticas) da cidade, com o objetivo de criar situações
surpreendentes, que visam envolver as pessoas, inadvertidamente ou não.
> Em alguns casos os trabalhos
chamam atenção para o lado do humor. E outros para detalhes
específicos da capital do Rio Grande do Sul, como sua arquitetura
característica.
> As obras que resultam das “intervenções”
estão expostas em vários locais da cidade. Uma delas - situada
no Largo Glênio Perez, diante da Prefeitura Municipal de Porto Alegre
- chama-se “Invervención? Contrato de Trabajo?” e foi idealizada
pelos artistas plásticos uruguaios Eduardo Cardoso e Fernando Peirano. |
Com tijolos e argamassa,
a obra / homenagem a
I Bienal e
ao Rio Grande do Sul
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| “INTERVENCIÓN
/ CONTRATO DE TRABAJO?" . > Todo trabalho deveria realizado por um profissional
da construção civil, selecionado a partir de um anúncio
de jornal de “emprego temporário” (free-lancer). Um grande
número de trabalhadores apresentou-se para “ganhar um dinheiro-extra”,
sem saber do que se tratava.
> Eduardo Cardoso e Fernando
Peirano entrevistaram os candidatos (muitos tinham dificuldade de entender
“estranha proposta”) e selecionaram o pedreiro Máximo Vieira Souza.
> Conforme os autores da obra/idéia,
o próprio anúncio, convocando candidatos, a entrevista de
seleção, tudo isto, faz parte da obra. O objetivo, é
deixar no ar questões como: “Quem e o que é o artista?”
. Por este enfoque inédito, casual, a categoria de obras “Efêmeras”
é a mais polêmica da I Bienal de Arte Visuais do Rio Grande
do Sul.
> Máximo (o improvisado
artista) dispunha de 3000 tijolos e bastante argamassa para desenvolver
uma obra, “como ele desejasse, ou imaginasse”. Da imaginação
do pedreiro surgiram: uma grande cuia, um banco e um cercado, tudo projetado
e construído, por ele, numa área disponível de 8 x
8 metros.
A ARTE NÃO
SE RENDE AO DINHEIRO. > O contrato assinado com o presidente da I Bienal,
Justo Werlang, determinava que Máximo receberia R$ 0,15 (aproximadamente
US$ 0,15) por tijolo utilizado. Do total de tijolos, o pedreiro usou quase
a metade. O pedreiro justifica: "Não me procupei em colocar
uma maior quantidade de tijolos para ganhar mais dinheiro. Eu queria fazer
algo bonito”. |
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| SEU
LEGADO. > Tijolos e muita argamassa , “para ficar bem firme e não
cair na cabeça das pessoas” - segundo ele - deram forma a uma
“cuia de chimarrão”, porque é o símbolo da cultura
“gaúcha” e eu queria homenagear nosso Estado (Rio Grande do Sul,
Brasil).
> Máximo inspirou-se na
figura do “Gaúcho”, com sua tradicional “cuia-de-chimarrão”.
A “cuia”, é um recipiente feito de um “porongo” (vegetal) onde o
“gaúcho” prepara e bebe, junto à fogueira, uma espécie
de chá amargo de “erva-de-chimarrão”, bebida tradicional
da região.
> O “gaúcho”, é
homem do campo, natural do Rio Grande do Sul (BR), que cuida do gado e
usa cavalos como montaria. Figura correspondente ao “cowboy” norte-americano.
A palavra “gaúcho” tem sua origem no Latim: vem da palavra “gáudio”,
que significa alegria. |
Aqui, vemos um “gaúcho,
ao lado da fogueira”, sorvendo o “chimarrão” em sua inseparável
“cuia”, utensílio que inspirou Máximo.
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| UM
DIA DE GLÓRIA, PARA UM HOMEM COMUM. > Os artistas plásticos
Eduardo Cardoso e Fernando Peirano, foram responsáveis pelo “dia
de glória” de Máximo Vieria Souza, retirando do anonimato
um trabalhador humilde, casado, pai de quatro filhos. Páginas inteiras
nos jornais e noticiário das televisões, registraram o trabalho
do pedreiro, incentivado pela população que juntou ao seu
redor.
> Amigos, clientes, colegas de
escola de seus filhos, também foram ver o novo “artista”. Sobre
tudo isto, Máximo diz: “Eu me sinto como um representante da
classe operária que teve coragem de chegar num local público
e realizar sua própria idéia!”
> Além de Cardoso e Peirano
estes são os outros artistas plásticos que participam Intervenções
Efêmeras: Afred Wenemoser (VE), Carlos Cruz-Diez (VE), Eduardo Cardozo
(UR), Félix Toranzos (PY), Gaston Ugalde (BO), Gonzalo Mezza (CH),
Graciela Sacco (AR), Mario Soro (CH), Ricardo Migliorisi (PY), Rimer Cardillo
(UR), Sol Mateo (BO) e Osvaldo Salermo (PY).
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>> Texto: Ana Paula Wolf
>> Fotos: Edson Vara (Divulgação
- I Bienal do Mercosul)
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A população
acompanhou o trabalho
do pedreiro-artista
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UM ÔNIBUS, QUE É
UMA OBRA DE ARTE
> É como “realidade virtual”,
mas é real! O artista venezuelano Carlos Cruz-Diez brindou a cidade
com uma obra de arte que circula regularmente pelas ruas, levando passageiros
(sem
armadilhas ou surpresas), em viagem tranqüila, aos seus destinos.
> Simplesmente, ele transformou
o um tradicional ônibus de linha substituindo as tradicionais cores
(branco, ocre e amarelo) por azul, verde, laranja e preto, acrescentando
listras no novo “layout”. A viagem inagural teve entre os passageiros o
Secretário de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Nelson Boeira
, e o presidente da I Bienal do Mercosul, Justo Werlang.
> O público recebeu com
simpatia a idéia de “viajar em uma obra de arte”. O ônibus
da empresa Portoalegrense “Carris”, está circulando alternadamente
em dois percursos (linhas T5 e T2), para dar oportunidade a mais pessoas
“usufruirem
deste prazer”.
> Carlos Cruz-Diez vive há
37 anos em Paris e já havia feito projetos semelhantes para os transportes
urbanos de Marselha (FR) e Caracas (VE). |

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IMAGINÁRIO
OBJETUAL
ARTISTAS TRANSFORMAM A
CIDADE
> A I Bienal de Artes Visuais
do Mercosul apresenta uma proposta de Arte, a ser apreciada a partir de
uma perspectiva inovadora: o Imaginário Objetual. O desafio
se constitui em abordar aspectos da cidade de Porto Alegre na visão
dos artistas latino-americanos.
> Alguns artistas foram convidados
a percorrer o centro de Porto Alegre para colher objetos existentes no
ambiente urbano - que fazem parte do cotidiano e, no entanto, não
são percebidas pelas pessoas - buscando novas idéias e inspirações:
Fernando Limberger (BR), Fernando Luchesi (BR), Jorge Barrão (BR),
Marcos Coelho Benjamin (BR), Marcos Chaves (BR), Mário Sagradini
(UR), Monica Giron (AR), Patricio Farias (BR) e Sydia Reyes (VE).
> O Imáginário
Objetual é uma espécie de “releitura” da cidade, cujo
resultado do trabalho não deve ser visto apenas como “arte inusitada”.
Isto porque, os artistas buscam provocar a mente do observador, expandindo-a
e a ver as coisas de uma nova maneira.
> Os lugares selecionados para
as pesquisas dos artistas foram os mais tradicionais e movimentados de
Porto Alegre: o Cais do Porto, o Parque Marinha do Brasil, o Mercado Público
e o DEPRC (ao lado da Usina do Gasômetro). Hoje, estes lugares abrigam
estranhas e belas obras de arte “transformista”. |
Mônica Giron (AR)
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ARTE QUE REVELA O
NOSSO “LADO SOMBRA”
ATENÇÃO
PARA O QUE “NÃO QUERÍAMOS” VER. > A diretriz do Imaginário
Objetual é o intercâmbio cultural. São efetuados
mudanças estéticas de objetos, espaços, e estas transformações
não tem limites dentro das concepções que os artistas
trazem, a partir do que pensam e do que resulta de seus próprios
trabalhos.
JORGE BARRÃO:
COMO TRATAMOS OS ANIMAIS? > Peças extremamente curiosas se encontram
nas oficinas do Cais do Porto (DEPRC), como o trabalho do artista Jorge
Barrão. Ele criou cercados preenchendo-os com um porquinho, cinco
galinhas, um galo e uma cadelinha branca, que foi “salva” do canil
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Tudo isto, para retratar
“o tratamento dado aos animais pela população portoalegrense”. |
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| SYDIA
REYES: CRIANÇAS ABANDONADAS. > Sydia Reyes (Venezuela) optou por
um velho túnel, enferrujado, colocando dentro dele um aparelho de
televisão transmitindo imagens de meninos de rua da cidade.
MARCUS CHAVES:
DESTACA NOSSA CULTURA. > O “carioca” Marcus Chaves (Rio de Janeiro -BR),
encheu velhas cabines de extintores de incêndio com vários
objetos descartados pela população: um despertador que toca
sem parar ao lado de um gato de pelúcia e a tradicional erva-mate,
e objetos que representam a cultura “gaúcha’ do Rio Grande do Sul. |
Sydia Reyes (VE)
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| MÁRIO
SAGRADINI: TRANSFORMA O "LIXO EM LUXO". > Colagens de feno, cartazes
de rua, lona, couro, pipoca, bonés de pedreiros e outras coisas
mais, tudo colocados no chão, fazem parte da obra do uruguaio Mário
Sagradini.
“PEDAÇOS”
DE PORTO ALEGRE. > Dezenas de, outros elementos tais como: fotos de habitués
de vernissage, despachos (objetos utilizados em rituais esotéricos),
barcos cheios de objetos, e muitos outros mais foram usados pelos artistas
para expressar, em cada obra, “pedaços” e particularidades de Porto
Alegre.
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>> Texto: Ana Paula Wolf
>> Fotos: Edson Vara
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Mário Sagradini(UR)
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