> A história da arte
testemunha as emoções, as razões, as crises e as construções,
que marcaram épocas e períodos pelos quais passou a humanidade.
A arte é documento, é denúncia, é enaltecimento
e, também, e sem dúvida, uma forma “subversiva” de expressão.
A arte evoluiu, significativamente, a partir de uma oposição
às formas fechadas que caracterizaram o período do Renascimento
e às formas abertas que caracterizam o Barroco.
> As crises que afetaram e que
afetam a humanidade também se manifestam na evolução
as artes: os “expressionistas” interpretaram, em suas pinturas, os conflitos
políticos, sociais e existenciais, que surgiram como conseqüência
da I Guerra Mundial.
REAÇÃO
ÀS CRISES. > Já os artistas “concretos” e “minimalistas”,
optaram pela ordem, despojando toda uma retórica visual, optando
por uma forma de expressão (seja em telas ou esculturas) a elementos
básicos (linhas, cores, planos, volumes, etc). Muitas vezes utilizaram-se
de fórmulas matemáticas, máquinas e recursos tecnológicos.
Nesta etapa, então, o artista começa a desenvolver uma idéia
de estrutura, de ordenação “construtiva”.
A ORDENAÇÃO
DO CAOS. > Deste modo, devemos olhar o trabalho do artista que opta por
manifestar sua perspectiva através da forma “construtiva”, como
um esforço de ordenação do caos. O artista construtivo
tenta construir um mundo novo e, como tal, é fundalmentalmente otimista.
Pode ser vista como utópica, porque ele não imita a existência:
ele inventa de construir um mundo novo, claro, limpo, justo.
ARTE
CONSTRUTIVA E CONSTRUTIVISMO. > A arte construtiva é uma vertente
artística, e não devemos confundí-la com o “construtivismo”:
este, foi um movimento surgido em Moscou, por volta de 1920 - data em que
os irmãos Prevsner e Gabo, escultores publicaram um manifesto -
e que reuniu artistas como El Lissitski, Tatlin e Rodchenko, entre outros.
> O primeiro, na série
“Proun”, explorou as virtualidades e ambiguidades da geometria, buscando
relações ópticas, pluridirescionais, sem transcendências,
apenas exatas. O segundo, já inventou os contra-relevos, utilizando
metais, plástico, vidros, madeira. São obras que mesclam
pintura e escultura.
O PROCESSO
CRIADOR & DESIGN. > Max Bill, artista concreto e designer, diz que
“o processo criador da arte-concreta vai da imagem-idéia à
imagem-objeto e, esta transformação, se dá através
de uma lei de desenvolvimento que, devidamente estudada, pode resultar
em um desenho, quadro, edifício ou produto industrial.
A LINGUAGEM
É UNIVERSAL, MAS O SENTIDO DIFERE. > Apesar de universal, em seu
significado, a arte construtiva adquire sentidos diferentes nas produções
européias, norte-americanas e latino-americanas. Por exemplo: podemos
perceber estes diferenciais num confronto entre o Neoplasticismo de Mondrian
e o Universalismo Construtivo de Torres Garcia ou ainda o Minimalismo norte-americano,
com a geometria sensível (ou lírica) dos latino-americanos.
> Uma história da arte
construtiva teria que incluir estudos de movimentos, escolas, ou grupos
como Construtivismo, Neoplasticismo, Arte Concreta, Neoconcretismo Construtivo
e, ainda mais, seus desdobramentos tecnológicos: arte cibernética,
arte por computador.
ARTE &
CIÊNCIA
TEORIA DO
CAOS. > Na última década, físicos, biólogos,
astrônomos e economistas criaram um novo enfoque da complexidade
da natureza: a ciência do Caos, que permite identificarmos padrões
(onde antes se observava a aleatoridade, imprevisibilidade, o caótico).
Em resumo: descobriram que assim como o caos pode estar escondido atrás
de uma fachada de ordem (esta buscada pelos artistas construtivos), também
“nas profundezas do caos está oculto um tipo de ordem, mais fantástico
ainda”, segundo o físico Douglas Hofstadter.
> Em linguagem mais simples,
o caos é uma ciência do mundo cotidiano, formulando indagações
que todas as crianças já fizeram: sobre a forma das nuvens,
sobre da ascensão da fumaça, sobre a maneira pela qual a
água forma vértices numa correnteza. Na arte, a sensibilidade,
a indagação do artista nos surpreende com inesperadas descobertas,
focalizando novas explorações.
EFEITO
BORBOLETA & FRACTAIS. > Quem não ouviu falar do “efeito borboleta”,
descoberta de Edward Lorenz, sobre a imprevisibilidade do tempo. Ele exemplica:
“o movimento das asas de uma borboleta, aqui, pode provocar um furacão
no outro lado do hemisfério”. Mitchell Feigenbaum, foi estimulado
pelas suas meditações sobre a arte e a natureza sobre uma
constante, ou ordenação, universal. E, chegamos ao conceito
dos fractais de Benoit Mandelbrot, que criou uma geometria da natureza,
trabalho conhecido como as “espirais de Mandelbrot”.
> Verificamos que tanto o cientista
quanto o artista, ambos com seus conflitos, emoções e frustrações,
chegam aos seus momentos de revelações. Depois disto, quem
poderá voltar a ver o mundo da mesma maneira?